MPAC ouve Ministério da Saúde sobre possíveis efeitos adversos da vacina contra HPV

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) se reuniu nesta terça-feira (6) com representantes do Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Secretaria de Estado de Saúde para obter mais esclarecimentos sobre a vacina contra o HPV, depois de serem relatadas possíveis reações adversas com sua aplicação.

O titular da 1ª Promotoria Especializada de Defesa da Saúde, Glaucio Ney Shiroma Oshiro, instaurou procedimento administrativo para apurar os 30 casos que chegaram ao MPAC de meninas relatando, sobretudo, crises convulsivas pós-vacinação. Ele participou da reunião no prédio do Programa Nacional de Imunização (PNI) e esteve também com as famílias dessas adolescentes, que aproveitaram a ocasião para protestar contra a vacina.

Segundo o promotor de Justiça, o encontro possibilitou colher informações sobre o agente imunizador e orientar a respeito das providências que serão tomadas pelo MP acreano. O próximo passo é oficiar o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para fornecerem estudos mais precisos e ainda se costurar um fluxo na rede pública de saúde para que esses pacientes sejam definitivamente acompanhados.

“Angariamos dados a respeito de quais providências nós podemos tomar para que consigamos ter um bom desfecho. Nós identificamos ainda certo vazio na rede pública de saúde, inclusive particular, para fechar os diagnósticos, para finalmente encerrar as investigações, mas a gente já conseguiu ter muito boas informações sobre que tipo de providência vamos tomar nos próximos períodos e conduzir o procedimento administrativo com bom desfecho”, afirmou o promotor de Justiça.

A coordenadora-substituta do PNI, Ana Goretti Kalumi, veio ao Acre e destacou que a vacina HPV quadrivalente é segura e aplicada em mais de 170 países, sendo que até agora não foram registrados eventos adversos atribuídos a ela. Para a coordenadora, o acompanhamento do MPAC se faz necessário para esclarecer todos os questionamentos.

“Essa reunião foi importantíssima porque hoje o MP é um parceiro da saúde, especificamente da imunização em todo o País. Gostaria de frisar que essa é uma vacina extremamente segura e utilizada em mais de 170 países do mundo, e até o momento, com exceção da anafilaxia, que é uma reação alérgica grave aos componentes da vacina, nenhum outro evento grave foi relacionado à questão dessa vacina” disse Ana Goretti.

O pesquisador Edson Fedrizzi também acompanhou a comitiva do Ministério da Saúde. Ele é chefe do Centro de Pesquisa Clínica Projeto HPV da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e apresentou seu parecer a respeito da vacina. “Nós fizemos uma avaliação multidisciplinar, e até agora, dos casos que observamos, praticamente são 30 casos, em 14 deles pudemos afastar esses sintomas que esses meninos e meninas apresentaram com a vacina contra o HPV. Muitos desses casos ainda estão sendo avaliados porque alguns deles precisam de exames mais específicos”, relatou.

 

Jaidesson Peres – Agência de Notícias do MPAC