Promotora de Justiça fala sobre mídia e violência contra a mulher em evento do Exército

A promotora de Justiça Especializada de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Dulce Helena de Freitas Franco, participou, nesse sábado (10), do Curso Extensão Cultural da Mulher, promovido pelas Forças Armadas, por meio do Exército Brasileiro. O evento ocorreu no salão de festas do Círculo Militar, em Rio Branco.

Na ocasião, ela ministrou a palestra ‘Mídia e Violência Simbólica contra a mulher’ a mulheres militares e esposas de militares. Segundo ela, o discurso publicitário para representar homens e mulheres utiliza padrões de categorização, classificação, hierarquização e ordenação da realidade e das relações entre as pessoas, capazes de significar os contextos desejados de forma a torná-los compreensivos e consumíveis.

“As propagandas vendem estilos de vida, sentimentos, visões de mundo, fazendo com que, mesmo que não compremos os seus produtos, estamos consumindo e reproduzindo os seus discursos”, disse a promotora.

Para ela, a mídia limitou, por décadas, a mulher ao papel da dona de casa, cujo ideal de vida era casar e ter muitos filhos; tarefas que não eram ensinadas aos meninos, pois eles teriam suas próprias esposas para servi-los.

“A mídia ocupa um papel central na formação dos valores e cultura. A violência simbólica está tão assimilada pela sociedade que até mesmo propagandas que naturalizam ou estimulam o estupro são produzidas para vender produtos. E o que dizer da violência simbólica contras as meninas que são precocemente erotizadas?”, indaga Dulce Helena.

A promotora também defende a tese de que a comunicação é uma estratégia fundamental para garantia dos direitos das mulheres.

“Numa sociedade mediada pelos meios de comunicação, a liberdade de expressão não se dá de forma plena se o discurso que eu posso proferir numa palestra/oficina/reunião não encontrar espaço nos meios de comunicação de massa. Precisamos sair da crítica ao sistema para participar da mudança da estrutura do sistema de comunicação”, ressalta.

O curso tem como objetivos permitir maior integração entre militares do segmento feminino, esposas e dependentes de militares, proporcionando maior qualidade de vida à família militar e estabelecendo e mantendo vínculos de cooperação com as áreas cultural, empresarial, jornalística, universitária e científica.

André Ricardo – Agência de Notícias do MPAC