Ministério Público reúne instituições parceiras para discutir Síndrome Alcoólica Fetal

Com o objetivo de discutir sobre a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio do Núcleo de Atendimento Psicossocial em Dependência Química (Natera) e do Centro Especializado em Saúde (CES), reuniu na manhã desta quinta-feira (5) representantes das secretarias estaduais e  municipais de Saúde, Assistência Social e de Políticas Públicas para as mulheres (SEP-Mulheres).

A Síndrome do Alcoolismo Fetal atinge bebês de mães que ingerem bebidas alcoólicas durante a gravidez. Segundo Fábio Fabrício, assistente social do Natera, a instituição ministerial foi provocada por um casal, que adotou uma criança portadora da síndrome e que pediu apoio para divulgar e difundir o tema.

“O Ministério Público tomou conhecimento desse caso e numa conversa com o casal, o procurador-geral de Justiça Oswaldo D’Albuquerque garantiu apoio institucional na produção de material para divulgação da SAF e suas consequências, evitando, dessa forma, o surgimento de novos casos,” explica.

Difundir a informação

A funcionária pública Cleísa Brasil, que junto com o esposo procurou a ajuda do MPAC, destaca que essa foi a forma que encontrou para alertar, difundir a informação e de impedir que outras crianças nasçam com essa síndrome.

“Existe muito desconhecimento sobre essa síndrome. Se você parar para pensar, choca muito mais ver uma mulher grávida consumindo crack, do que uma mulher grávida consumindo álcool. Além disso, faltam políticas públicas, falta um olhar mais específico para essa síndrome e, principalmente, ações de educação”, explica.

Maior possibilidade

Cleísa disse que procurou o MPAC por sua atuação na prevenção e combate ao uso de drogas. “O Ministério Público tem uma rede incrível de atuação com instituições da área de assistência social, da saúde, da educação, tem um trabalho muito interessante por meio do CAV e do Natera. Então, a gente, enquanto cidadãos, começou a pensar na campanha, mas seria uma atuação muito limitada, mas com o MP, teremos a possibilidade de chegar a um número muito maior de pessoas, inclusive na gestão publica”, salientou.

Definindo estratégia

Atualmente Rio Branco acompanha 18 (dezoito) casos da síndrome. Para o secretário municipal de Saúde, Otoniel Almeida, a reunião é um excelente momento de traçar estratégias para enfrentar o problema. “Esse tema está na nossa pauta. Tenho certeza de que a gente vai sair daqui com bom encaminhamento para poder cuidar da saúde da mulher e da criança, para que tenham boa qualidade de vida”, afirmou.

Causas da SAF

A ingestão de álcool pela mãe durante a gravidez atinge o feto através das trocas de nutrientes na placenta. Não há quantidade segura de álcool que possa ser ingerido durante a gravidez. Entretanto, a quantidade e a fase da gravidez podem aumentar o risco de surgimento da síndrome.

 A SAF pode ocasionar defeitos no feto que variam de leves à graves, causando problemas de comportamento e falta de crescimento, entre outros. Um dos efeitos mais graves da toxicidade do álcool na gravidez pode ocasionar rosto desfigurado e retardo mental.

Características da Síndrome Alcoólica Fetal

Bebês nascidos com a síndrome costumam apresentar malformações na face (lábio superior bem fino, nariz e maxilar de tamanho reduzido, por exemplo), microcefalia (cabeça menor que a média), anormalidades cerebrais (apresentando falta de coordenação motora e distúrbios de comportamento, até retardo mental), malformações em órgãos como rins, pulmões e coração.

Antonio Kléber- Agência de Notícias do MPAC